Gato Preto - Edgar Allan Poe (A pseudo visão do gato)

sexta-feira, 30 de outubro de 2020

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Meus irmãos sempre me disseram como seria bela a vida, após ser adotado. Eu sonhava com o tão sonhado dia, que alguém, alguém que realmente fosse me amar, amar como sou, como eu era, e me adotar...  
- Pobre Gato
Eu sempre fui o mais querido dentre todos os outros, o mais amado. Sempre achei que amor era algo bom, algo para se deleitar. 
As vezes recebia tanto afeto que mal podia respirar, outras vezes, mal conseguia que ele viesse a me tocar. 
As coisas começaram a ficar mais odiosas, todo aquele meu mundo estava começando a desabar, meus colegas eram o centro da ira, até minha dona veio sofrer. O lado bom, é que eu só observava tudo, e até ali a minha vida estava boa, não como eu havia imaginado, mas boa. 
- Pobre gato!!!
Eu não lembro muito de como tudo começou, apenas de vê-lo vindo em minha direção, gritando e agitado. Eu não o queria daquele jeito... fui beber minha água, comer algo, ou até mesmo cochilar... não me recordo... Porque isso?! Ele que me apertou... Só me lembro de suas mãos, grandes e calosas, em volta de meu corpo, me apertando e gritando... EU APENAS TENTEI ME DEFENDER! Não me lembro o que aconteceu... apenas recordo da dor!!! Uma escruciante dor! 
(põe a pão em seu olho e olha pra baixo meio rancoroso e triste...pq essa é a hora que ele ranca seu olho)
Ele apareceu novamente, com um ar fúnebre, odioso e calamitoso... Eu não podia ficar ali e esperar o pior! Eu já havia me deleitado de sua ira! Não podia apenas ficar parado... 
Quando vi, já era tarde! Suas mãos, duras, grandes e suadas estavam em volta de meu pescoço... Só me recordo de meu ar sumindo... quando notei, pendurado eu estava. Uma corda era o que me segurava... tentei me soltar...já era tarde... ali vi meu jazigo final...  não conseguia mais enxergar quase nada... apenas senti um forte calor, algo jamais sentido antes... foi horrivel! A dor que senti na noite anterior já não me importava mais... o calor era maior! 
Imediatamente o calor e a fumaça queimam as minhas sobrancelhas e os meus pelos, passando para a garganta e... quase não respirava nada... 
quando aquele calor imenso chegou a minha pele, eu já não pensava em mais nada... não conseguia mais me mover voluntariamente... foi excruciante ! 
Eu nunca quis causar mal a ele... eu jamais quis causar mal a ele!

(aqui vc fala com sua voz, recitando o poema mesmo)
- Cada brasa do lar sob o chão refletia a sua última agonia! 
Com longo olhar escruto a sombra,

Que me amedronta, que me assombra,

E sonho o que nenhum mortal há já sonhado,
Mas o silêncio amplo e calado,
Calado fica; a quietação quieta;
Só tu, palavra única e dileta,
Lenora, tu, como um suspiro escasso,
Da minha triste boca sais;
E o eco, que te ouviu, murmurou-te no espaço;
Foi isso apenas, nada mais. - 

(volta pro gato)
Aquela velha senhora de preto olhou em meus olhos e me disse assim "Já faz muito tempo! O que ha de fazer, seguindo tal sujeito? Ja que em vida vc não permanece!" 
Eu sem entender, pedi que me explicasse, até que ela me contou que em um incêndio, enforcado e esfaqueado eu morri! Ainda assim pedi que me ajudasse, poupasse-me desta vez, para que eu pudesse ao menos viver... 
Com uma condição eu pude voltar, a marca em meu corpo devia ficar! (Mostra a marca)
Em uma bela noite, lá estava ele... com uma garrafa em sua mão, e pronto para desmaiar. Quase não percebi, mas ele conseguia me enxergar. Logo mais se aproximou, me olhou e me recolheu, para dentro de seu lar. Muito querido por ele eu era, eu sabia que ali não era mais meu lugar... Todos ali me amavam! 
E mal podia eu esperar, a mesma atitude, a mesma ação, o mesmo ódio vindo em minha direção! Quando em detalhe ele me olhou, e viu, que sob meu corpo estava a marca... (mostra a marcaaa denovo).... e cada vez mais sua ira aumentou.
Um tempo depois, resolvi dormir, quando de repente um incomodo vim a sentir. Olhei e la estava ele, no chão, com uma feição de ódio! Eu não tive culpa! Eu só estava dormindo! Ele não quis saber, e com um machado veio em minha direção. Minha dona, veio me defender, mas a verdade foi que... ela veio pra morrer! Bastou um único golpe em sua cabeça! E ela caiu ao chão... eu não entendi muito bem, só queria me esconder... Quando percebi, a vi deitada em um vão da parede... resolvi lá entrar... de repente tudo escureceu, e já não pude mais me retirar. 
Muito tempo no escuro permaneci.. até que um barulho eu ouvi. Minha dona já não se mexia há muito tempo e seu corpo frio estava... com muito esforço resolvi gritar. Pouco tempo depois 2 homens um buraco abriram e vieram a me enxergar. Meu dono estava me olhando, com uma expressão de medo.. seu cheiro forte ficou, e a partir dali a polícia o levou! 
Senti que meu propósito havia chegado ao fim. 

Symphony of goodbye

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

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                 Não dá só pra fingir que nada rolou. Não é pelo acontecimento, é mais por ver como ela está. Olhar e ver o sofrimento, a tristeza e a vergonha nela é doloroso demais. Já pensei em pegar uma mochila, colocar algumas coisas e ir embora... na esperança de que eu seja assaltado e morto, atropelado ou que alguma coisa aconteça que eu não seja encontrado nunca mais. A dor de ter causado tudo isso é grande demais pra mim continuar seguindo... A questão da interpretação é foda! As vezes algumas coisas, que já não são mais, voltam e começam a ser. Não há sentimento pior do que ver ela sofrendo. Não sei se vou suportar, nem por quanto tempo suportarei... Eu tiraria minha vida agora, não mereço continuar vivendo, sim, isso mesmo. Fazer com que a pessoa que confia tudo
em você sofra, assim gratuitamente é doloroso demais. Não sei o que fazer mais... Estou no limite. Já causei dor e sofrimento demais, já fodi vidas demais. Acho que não têm mais porque continuar... parece inevitável acabar com a felicidade de todos que me cercam... Só quero ir... assim terei a certeza de que só causarei dor uma única vez e nunca mais. Caso isso ocorra e alguém leia isso a tempo, romanceei a cena... Provavelmente será comigo nos segundos finais sem expressar emoção alguma, tocando lovely - billie eilish, com tudo se passando em câmera lenta... talvez fique mais tragável dessa forma. Sempre houve muito para se apreciar no mundo e sinto muito por não conseguir fazer tudo que eu quis, viver de verdade, sair desse poço que é essa cidade maldita. Gostaria de ver meu pai só mais uma vez... Meu eterno amor a meu filho, a minha amada e a minha mãe. Espero que entendam que nada disso condiz com vocês... são atos que eu mesmo cometi e me saturou. A minha vida toda foi assim, causando mal... Amo vocês. Vivam por mim, vivam o que eu não vivi. Pela primeira vez sinto que a carta é real, a dor é imensa.

Sempre quis ser piloto de avião. Mas como sei que não seria capaz optei por algo mais viável...
Sempre quis pintar. Mas nunca fui realmente atrás por medo de fracassar nisso também.
Sempre quis viajar. Mas o medo me impediu de ir.
Sempre quis ser essencial em algum grupo. Quando fui essencial a alguém estraguei isso.
Sempre quis conhecer outros lugares. Mas não tive coragem de ir.

Que toque "The Less I Know The Better - Tame Impala" e passe alguma coisa bonita enquanto se lembram de mim.

Att. Eu.

Remédios, Morte e Memórias

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

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E o gosto amargo dos remédios descem pela minha garganta. A ponta do cigarro já se apagou. Minha água já não é a mesma. Meu colega de quarto acabara de morrer, e já preparam a cama para o próximo. Será que a próxima a deixar uma vaga serei eu? Vejo que a quantidade de remédios têm aumentado na última semana. Irei aguardar minha velha amiga, minha tão bela e velha amiga. Morth, virá bem rápido, pelo que consigo ouvir as enfermeiras dizer em voz baixa. Enfim, ei de aguarda-la.
( A Dama de Sangue - Fragmentos de memória )

Despertando

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Todas as pessoas pareciam tão frágeis, 
cada garganta, 
parecia tão fácil de ser rasgada... 
Força, rs, isso sempre pareceu algo nada relativo... 
sempre que vinha, a tinha. 
A noite.. aah.. a noite! 
Era a mesma... mas eu a via totalmente diferente..
 tudo era novo, tudo era diferente, meus olhos pareciam ter sido recém abertos...
 mas tudo era o que era.

A culpa foi dele

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

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Resolvi escrever, em uma tentativa de obter redenção. De compartilhar o peso que sinto em minha alma, com você que está lendo. Não foi uma, nem duas e muito menos três vezes que eu tentei.. que eu pedi para que ele mudasse! Mostrei o caminho! Mas infelizmente ele me desobedeceu, já não aguentava mais tanta birra, tanta imaturidade. Se eu não o fizesse, outro faria, e sabe o que mais fariam com ele! Eu não fiz por maldade... eu fiz para que ele aprendesse uma lição, mas infelizmente saiu do controle... nada foi como o planejado! Eu apenas queria assusta-lo! Ele foi o culpado! FOI ELE QUEM REAGIU! Eu não tive escolhe... tive que fazer! Foi apenas um único disparo! Um único tiro! E estava feito! Agora você também carrega comigo esse peso... Minha criança!

Eu tive que fazer

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E finalmente eu tomei coragem. Dizem que a primeira é a mais difícil, talvez seja... A pior parte disso tudo foi olha-la profundamente em seus olhos, lembrar de todos os sorrisos, de todas as brincadeiras, de todos os beijos, e saber que aquele era o ultimo momento que eu a veria respirando... Mas eu tive que fazer! Ela não merecia continuar viva!!! Eu tinha que fazer! Ela já estava até sem lágrimas, de tanto que chorou, e rouca de tanto implorar para continuar viva... dei-lhe uma ultima refeição, foi um x-bacon (ela amava isso!) com refrigerante. Ela comeu-o lentamente, sabendo que quando terminasse o fim chegaria. Eu tive que fazer isso! Não me culpe nem diga que sou mal! EU TIVE QUE FAZER! Vi uma ultima lágrima escorrer, e então em um momento de fúria eu dei-lhe uma facada no pescoço e comecei a degola-la... tão bela, tão jovem... mas eu fiz! Mas sei que ela sempre estara comigo, dentro de um pote de vidro com formol, me olhando e me lembrando que amar dói e que ninguém é de ferro

Tudo Mentira

terça-feira, 10 de março de 2015

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Se alguém me perguntar eu vou mentir
eu tenho medo da verdade
se alguém acreditar em mim, estou seguro que
de arrependimento vou chorar
meus pensamentos estão arraigados na imundície
porém minhas mãos estão limpas
vou me calar e olhar para o chão
vou contar a mim mesmo todas as mentiras

Sem um sorriso eu vou gritar
sem chorar vou perdoar a mim mesmo
sem ansiedade esperarei
e ainda me torno um mentiroso

Se eu sonho
tenho que me arrepender
tenho que me explicar
e me desculpar
eu construí um muro
e me despi
eu construí um muro
e me despi