Meus irmãos sempre me disseram como seria bela a vida, após ser adotado. Eu sonhava com o tão sonhado dia, que alguém, alguém que realmente fosse me amar, amar como sou, como eu era, e me adotar...
- Pobre Gato
Eu sempre fui o mais querido dentre todos os outros, o mais amado. Sempre achei que amor era algo bom, algo para se deleitar.
As vezes recebia tanto afeto que mal podia respirar, outras vezes, mal conseguia que ele viesse a me tocar.
As coisas começaram a ficar mais odiosas, todo aquele meu mundo estava começando a desabar, meus colegas eram o centro da ira, até minha dona veio sofrer. O lado bom, é que eu só observava tudo, e até ali a minha vida estava boa, não como eu havia imaginado, mas boa.
- Pobre gato!!!
Eu não lembro muito de como tudo começou, apenas de vê-lo vindo em minha direção, gritando e agitado. Eu não o queria daquele jeito... fui beber minha água, comer algo, ou até mesmo cochilar... não me recordo... Porque isso?! Ele que me apertou... Só me lembro de suas mãos, grandes e calosas, em volta de meu corpo, me apertando e gritando... EU APENAS TENTEI ME DEFENDER! Não me lembro o que aconteceu... apenas recordo da dor!!! Uma escruciante dor!
(põe a pão em seu olho e olha pra baixo meio rancoroso e triste...pq essa é a hora que ele ranca seu olho)
Ele apareceu novamente, com um ar fúnebre, odioso e calamitoso... Eu não podia ficar ali e esperar o pior! Eu já havia me deleitado de sua ira! Não podia apenas ficar parado...
Quando vi, já era tarde! Suas mãos, duras, grandes e suadas estavam em volta de meu pescoço... Só me recordo de meu ar sumindo... quando notei, pendurado eu estava. Uma corda era o que me segurava... tentei me soltar...já era tarde... ali vi meu jazigo final... não conseguia mais enxergar quase nada... apenas senti um forte calor, algo jamais sentido antes... foi horrivel! A dor que senti na noite anterior já não me importava mais... o calor era maior!
Imediatamente o calor e a fumaça queimam as minhas sobrancelhas e os meus pelos, passando para a garganta e... quase não respirava nada...
quando aquele calor imenso chegou a minha pele, eu já não pensava em mais nada... não conseguia mais me mover voluntariamente... foi excruciante !
Eu nunca quis causar mal a ele... eu jamais quis causar mal a ele!
(aqui vc fala com sua voz, recitando o poema mesmo)
- Cada brasa do lar sob o chão refletia a sua última agonia!
Com longo olhar escruto a sombra,
Que me amedronta, que me assombra,
E sonho o que nenhum mortal há já sonhado,
Mas o silêncio amplo e calado,
Calado fica; a quietação quieta;
Só tu, palavra única e dileta,
Lenora, tu, como um suspiro escasso,
Da minha triste boca sais;
E o eco, que te ouviu, murmurou-te no espaço;
Foi isso apenas, nada mais. -
(volta pro gato)
Aquela velha senhora de preto olhou em meus olhos e me disse assim "Já faz muito tempo! O que ha de fazer, seguindo tal sujeito? Ja que em vida vc não permanece!"
Eu sem entender, pedi que me explicasse, até que ela me contou que em um incêndio, enforcado e esfaqueado eu morri! Ainda assim pedi que me ajudasse, poupasse-me desta vez, para que eu pudesse ao menos viver...
Com uma condição eu pude voltar, a marca em meu corpo devia ficar! (Mostra a marca)
Em uma bela noite, lá estava ele... com uma garrafa em sua mão, e pronto para desmaiar. Quase não percebi, mas ele conseguia me enxergar. Logo mais se aproximou, me olhou e me recolheu, para dentro de seu lar. Muito querido por ele eu era, eu sabia que ali não era mais meu lugar... Todos ali me amavam!
E mal podia eu esperar, a mesma atitude, a mesma ação, o mesmo ódio vindo em minha direção! Quando em detalhe ele me olhou, e viu, que sob meu corpo estava a marca... (mostra a marcaaa denovo).... e cada vez mais sua ira aumentou.
Um tempo depois, resolvi dormir, quando de repente um incomodo vim a sentir. Olhei e la estava ele, no chão, com uma feição de ódio! Eu não tive culpa! Eu só estava dormindo! Ele não quis saber, e com um machado veio em minha direção. Minha dona, veio me defender, mas a verdade foi que... ela veio pra morrer! Bastou um único golpe em sua cabeça! E ela caiu ao chão... eu não entendi muito bem, só queria me esconder... Quando percebi, a vi deitada em um vão da parede... resolvi lá entrar... de repente tudo escureceu, e já não pude mais me retirar.
Muito tempo no escuro permaneci.. até que um barulho eu ouvi. Minha dona já não se mexia há muito tempo e seu corpo frio estava... com muito esforço resolvi gritar. Pouco tempo depois 2 homens um buraco abriram e vieram a me enxergar. Meu dono estava me olhando, com uma expressão de medo.. seu cheiro forte ficou, e a partir dali a polícia o levou!
Senti que meu propósito havia chegado ao fim.

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